Como escrever descrições

O objetivo da ficção é lançar um feitiço, uma ilusão momentânea de que você está vivendo no mundo da história.

Lemos ficção por muitas razões. Divertir-se, descobrir quem fez isso, viajar para estranhos novos planetas, ter medo, rir, chorar, pensar, sentir, estar tão absorvido que, por um tempo, esquecemos onde estamos.

Então, que tal escrever ficção?

Como você absorve seus leitores em suas histórias? Com uma trama emocionante? Talvez. Personagens fascinantes? Provavelmente. Belo idioma? Possivelmente.

As pernas de Billie são macarrão. As pontas do cabelo dela são agulhas de veneno. A língua dela é uma esponja eriçada e os olhos dela são sacos de alvejante.

Essa descrição quase fez você se sentir tão enjoado quanto Billie?

Entendemos que as pernas de Billie não são realmente macarrão. Para Billie, elas estão tão moles quanto macarrão cozido. É uma comparação implícita, uma metáfora.

Então, por que não simplesmente escrever assim? “Billie se sente enjoada e fraca.”

Provavelmente, a segunda descrição não foi tão vívida para você quanto a primeira.

O objetivo da ficção é lançar um feitiço, uma ilusão momentânea de que você está vivendo no mundo da história.

A ficção envolve os sentidos, ajuda-nos a criar simulacros mentais vívidos das experiências que os personagens estão tendo. O palco e a tela envolvem diretamente alguns de nossos sentidos. Vemos e ouvimos as interações dos personagens e o cenário.

Mas com a ficção em prosa, tudo o que você tem são símbolos estáticos em um fundo contrastante. Se você descrever a história de fato, linguagem não-tátil, o feitiço corre o risco de ser fraco. Seu leitor pode não ir muito além da interpretação dos rabiscos. Ela entenderá como Billie se sente, mas não sentirá o que Billie sente. Ela estará lendo, não imersa no mundo da história, descobrindo as verdades da vida de Billie ao mesmo tempo que ela mesma.

A ficção brinca com nossos sentidos: paladar, olfato, tato, audição, visão e senso de movimento.

Também brinca com nossa capacidade de abstrair e fazer associações complexas. Veja a seguinte frase.

“O mundo estava quieto de fantasmas, exceto pelo estalo de velas e o barulho borbulhante da água contra o casco.”

As palavras “quieto”, “estalo” e “borbulhante” envolvem o sentido da audição. Observe que Buckell não usa a palavra genérica som. Cada palavra que ele escolhe evoca uma qualidade específica do som. Então, como um artista que coloca tons de cor para dar a sensação de textura a uma pintura, ele adiciona camada anotérmica, movimento, “o estalo de velas” e toque, “o borbulhar de água contra o casco”. Finalmente, ele nos dá uma conexão abstrata ligando a palavra quieto com a palavra fantasma.

Não é “quieto como um fantasma”, o que colocaria uma camada distinta de símile entre o leitor e a experiência. Em vez disso, Buckell cria a metáfora “silencioso dos fantasmas” para uma comparação implícita, e não aberta. Ele nos diz que até fantasmas estava quietos, ou que nem os fantasmas estavam ali, o que o leitor descobrirá mais à frente, no texto.

Os escritores sempre são instruídos a evitar clichês porque há muito pouco envolvimento do leitor em uma imagem usada em excesso, como “vermelho como uma rosa”. Mas vejamos como fugir delas:

 “O amor … começou na praia. Tudo começou naquele dia em que Jacob viu Anette em seu vestido de cereja estufada ”

e seus cérebros se envolvem na tarefa absorvente de descobrir como é um vestido de cereja estufada. De repente, eles estão em uma praia prestes a se apaixonar. Eles estão experimentando a história tanto no nível visceral quanto no conceitual, encontrando o escritor na metade do jogo imaginativo de criar um mundo dinâmico dos sentidos. Portanto, ao escrever, use palavras bem escolhidas para atrair som, visão, sabor, toque, cheiro.

Em seguida, crie conotações inesperadas entre os elementos da sua história e acenda a imaginação dos seus leitores.

Adolescência: tempo de grandes mudanças

A passagem da infância para a vida adulta é período rico em transformações físicas e emocionais.

É quando a menina perceber que já e uma mocinha, enquanto os meninos olham com maior curiosidade para as colegas do colégio ou as garotas na rua.

A grande mudança tem como agentes fundamentais os hormônios sexuais: testosterona, que dá as características masculinas e progesterona e estrógeno, responsáveis pelas características femininas. Eles têm seus níveis aumentados graças a um comando dado pelo cérebro à glândula hipófise, que por sua vez, enviará hormônios ao aparelho genital de cada indivíduo, estimulando o seu amadurecimento.

Na menina, as primeiras manifestações da puberdade podem acontecer a partir dos 10 anos de idade. Ela notará o crescimento dos mamilos e das aréolas (aquela parte mais escura dos mamilos), e o surgimento de finos pêlos na região pública. A essa altura, a garota estará ganhando mais estatura e peso, e ficará mais redondinha nos quadris e nas coxas. O próximo passo será a ativação das glândulas sudoríparas adultas e, perto de um ano depois de iniciado esse processo, a menstruação terá inicio.

A chegada da menstruação indica que o organismo já é capaz de gerar um filho, embora o ciclo regular só vá se estabelecer quando adolescente atingir os 15 ou 16 anos.

No menino, as alterações principiam mais ou menos aos 12 anos, devendo terminar perto dos 18 anos. O garoto cresce, ganha peso e iniciam-se as transformações sexuais: os testículos aumentam de tamanho, o pênis alonga-se e engrossa. De um dia para o outro surgirão os pêlos pubianos, mas os do rosto e do corpo provavelmente irão surgir um ano mais tarde.

Nessa etapa é provável que ele tenha suas primeiras poluções noturnas: um líquido meio pegajoso e transparente sai do pênis durante o sono. É a ejaculação.

Aos 13 anos (as mudanças não são iguais para todos) a laringe começa a sofrer alterações que irão possibilitar, mais ou menos um ano depois, que a voz se torne mais grave. Nessa fase, o adolescente ganhará musculatura, ficando com o corpo mais atlético e bem-proporcionado.

Enquanto na infância uma criança normalmente cresce cerca de 5 centímetros ao ano, na adolescência o desenvolvimento pode chegar a até 10 centímetros por ano, principalmente no inicio da puberdade. Com isso, braços, pernas e mãos parecerão grandes demais em relação ao corpo, e possivelmente o menino ficará mais desastrado, derrubando coisas pela casa.

Outro inconveniente, para ambos os sexos, é o surgimento da temida acne (cravos ou espinhas), resultante do aumento de produção de gorduras pelo organismo. Será preciso redobrar a higiene pessoal e esperar o tempo passar. Quando a acne transformar-se em um problema mais sério, causando constrangimento ao jovem, o melhor é procurar um médico.

A puberdade tardia acontece em alguns casos.  Se a menina tem 14 anos e ainda não mestruou, é aconselhável procurar o ginecologista. Às vezes, disfunções hormonais retardam a menarca (primeira menstruação).

Mudanças de comportamento

A aceleração da atividade hormonal acaba afetando o comportamento e os sentimentos dos adolescentes. Eles estão se tornado adultos (ainda não o são) e geralmente ocorrem confrontos com os mais velhos.

A contestação aos dogmas, aos valores morais e aos padrões sociais será uma constante. O garoto que era calmo se torna agressivo e inconformado, e a menina doce surgirá irritadiça e descontente.

Cabe aos pais serem pacientes, tolerantes e abrirem o dialogo com os filhos. Afinal, eles estão começando a pensar por si próprios e a conquistar sua individualidade.

Adolescência e juventude são sinônimas de turma, troca e diversão. E também do primeiro amor, de ficar juntinho e experimentar as primeiras caricias sexuais. A rapidez com que isso acontece depende, basicamente, do amadurecimento de cada um, da curiosidade e, também, do nível de liberdade permitido pelos pais.

Os jovens devem ser informados claramente sobre o significado das mudanças corporais que estão ocorrendo. Ás vezes, por inibição ou imaginando que os filhos estão cientes dessas questões, eles deixam de lado a conversa sobre a sexualidade. E os adolescentes, inibidos com o silêncio dos mais velhos, continuam sem informações.

Abrir o diálogo nem sempre é fácil, especialmente entre as famílias não habituadas ás conversas francas. Mas é preciso vencer o preconceito e se lembrar da própria adolescência, quando as dúvidas seguramente eram as mesmas: “O que será que está ocorrendo com o meu corpo? Quando, e como, irei começar a minha vida sexual? Como posso ter certeza de que não engravidarei?”

Todas as questões relativas ao início da idade adulta devem ser discutidas em casa, inclusive a orientação sexual propriamente. Os principais cuidados são os relativos aos riscos de uma gravidez indesejada, e para o perigo de contagio pelo vírus da AIDS e de outras doenças sexualmente transmissíveis.

Outro assunto pertinente à adolescência são as drogas. Ávidos por novas experiências, muitos jovens acabam experimentando alguma delas (fumo, álcool, maconha, etc.). Quando o adolescente tem boa orientação familiar, essa atitude não chega a se transformar em risco. Em muitos casos as drogas, por vários motivos (em geral de origem emocional), passam a ganhar importância.

É conveniente que os pais observem nos filhos alguns indicadores de possíveis problemas como apatia ou a excitação constantes, falta de concentração desinteresse pelos estudos e agressividade exagerada. Nesse caso é preciso buscar a orientação de um especialista.

A literapia é amplamente indicada para essa orientação, por tratar-se de uma terapia breve e focada em atividades práticas, ou seja: tudo o que os adolescentes precisam para sentirem-se seguros e motivados a perceberem suas mudanças.

10 coisas que eu gostaria de ter ensinado a mim mesma, bem antes…

Eu sempre soube que seria escritora.

Claro que a vida dá voltas e que fazemos opções das quais nos arrependemos, posteriormente.

Eu não fiz muitas… Mas uma péssima escolha numa outra área de formação, acabou comigo, por mais de 10 anos e como era relacionada justamente ao aspecto profissional, paralizou minhas forças, meus recursos e meus sonhos. Continue lendo “10 coisas que eu gostaria de ter ensinado a mim mesma, bem antes…”

10 coisas que eu gostaria de ter ensinado a mim mesma, bem antes…

High school library - happy student with bookEu sempre soube que seria escritora.

Claro que a vida dá voltas e que fazemos opções das quais nos arrependemos, posteriormente.

Eu não fiz muitas… Mas uma péssima escolha numa outra área de formação, acabou comigo, por mais de 10 anos e como era relacionada justamente ao aspecto profissional, paralisou minhas forças, meus recursos e meus sonhos.

Nesse período de exílio, escrevi pouco e pior: escrevi mal.

Falando especificamente sobre a carreira do escritor, gostaria de ter aprendido antes, algumas coisas que hoje viraram leis na minha vida.

A elas, imediatamente:

  1. Respeitar o ritmo: a atividade intelectual é cansativa e requer muita disciplina. Não conseguimos, contudo, uma concentração tal, que nos faça ficar grudados à cadeira por mais de 40 minutos. Sim, segundo os cientistas, a capacidade média de concentração entra em “picos” e não dura mais do que ¾ de hora, o que quer dizer, que você precisa MESMO de uma pausa, ou irá produzir menos do que gostaria. Por isso: não deixe tudo para a última hora. Se não esteve inspirado até agora, como acha que ficará, 20 minutos antes de enviar um texto? Antecipe-se.
  2. Amar os cronogramas:  preparar um plano que caiba no dia, sem que se fique atropelado por todos os imprevistos, além de sábio, é útil.  Programe-se e mais importante: CUMPRA o planejado!
  3. Retomar a produção: nisso eu dei sorte!  Leio alguns textos de 20 anos atrás, que escrevi sem muito preparo e acho que foram “psicografados”.  A grande sacada é que agora, pensando diferente e conhecendo mais técnicas e processos de escrita, posso reescrevê-los e torná-los, verdadeiramente, meus textos!
  4. Perceber o momento: relacionado ao item anterior, a percepção ligada ao momento é como uma intuição: devo mostrar o texto agora, ou posso esperar e enquanto isso, melhorá-lo? Se você não tem paciência, nem mesmo com sua própria produção, irá cair nas muitas armadilhas do tempo. Publicará coisas fraquinhas, será julgado antecipadamente e provavelmente, receberá o número suficiente de “nãos” que qualquer pessoa com um pingo de amor próprio não toleraria, ou seja: é capaz que desista, antes de começar. Acontece que o momento também tem um momentum… Não espere até que o texto “morra”, nem para os leitores, nem para você.
  5. Procurar os semelhantes: já percebeu que quase todo mundo que conhece “escreve”? Pois é. Este mundo não é tão grande assim e é claro que suas relações trarão mais semelhantes, do que diferentes. Aprender com eles e compartilhar as dúvidas, deve ser um exercício diário.
  6. Anotar as ideias: bem, acho que entendeu, claramente. De uns tempos para cá não consigo mais me desfazer de minhas cadernetas e fichas e adquiri o hábito inconveniente de, no meio de uma conversa, esticar o braço em sinal de “espere aí”, sacar a caneta e escrever a “genial” ideia que acabei de ter. Muitas vezes, dá em absolutamente nada; outras, era tudo o que faltava para completar a página…
  7. Lidar com a frustração: para mim, não há nada pior do que, ao passear por uma livraria, encontrar o título e o tema que “anotei”, 5 anos atrás, para um dia escrever. O que descobri, é que não sou só eu que tenho acesso irrestrito à Biblioteca Akáshica. Assim, virou questão de vida ou morte, tomar a seguinte atitude: a) quando tenho uma ideia, escrevo imediatamente sobre o assunto; b) ao achar a “minha ideia” numa publicação, abençoo o trabalho alheio e saúdo o Universo, que afinal, é pródigo!
  8. Cuidar da produção: quantos blogs já comecei? Quantas redes já integrei? De quantas coletâneas já participei, sem ficar com nenhum exemplar? Quantas matérias, artigos, comentários, publiquei e não tenho nem ideia de onde foram parar? Adoramos seguir a vida dos outros, mas e a nossa? Está organizada? Não é tanto “o que” você escreve, mas se não sabe nem por onde suas frases estão espalhadas, fica bem difícil gerenciar sua vida literária. Isso passa por organização, método e por backups… Ai ai ai… Você tem um? Não é suficiente! Armazene seus textos em locais diferentes, mantenha um diário de links e salve as páginas. Muitas coisas (ainda bem!)  não ficarão online para todo o sempre e daí que você nunca mais verá seu texto, caso tenha digitado diretamente num site, sem cópia.
  9. Economizar discursos: se o seu trabalho é fundamentalmente intelectual, é bem provável que só goste de falar sobre ele. A gente acaba cansando os amigos, os familiares, os companheiros, os filhos, os sobrinhos, os irmãos, os vizinhos, os alunos, os professores, com o nosso blá blá blá literário. Lembre-se, além disso, que amigo não é cliente! (Bem, entenda que o que escreveu até pode ser arte, mas o produto em si, é comercial, daí a questão do leitor/cliente!) Pode ser e pode não ser… Se você só manda um email quando vai lançar um livro, ou atualiza sua rede social quando escreveu um artigo, saiba que todos notam seu “interesse” pelos amigos. Acaso não sabe falar de outra coisa? UMPF! Marketing é bom… na medida certa.
  10. Perseverar no objetivo:  você tem um plano? Ótimo, é um bom começo. Não desista dele. Vá atrás do seu sonho e saiba, principalmente, que não será fácil alcançá-lo. Não se desepere: o mercado muda, a moda muda, as tendências mudam e se hoje existem 20 títulos sobre vampiro e sua obssessão é essa, caso a sua obra seja realmente boa, terá espaço. Leu o “realmente boa”? Pois é, enquanto espera as coisas se ajeitarem, cuide de melhorar: aprimore suas técnicas, estude, leia, refaça, conheça o trabalho de outros autores.
  11. Eram 10, mas acabou de ganhar um bônus: conselhos podem ser bons, sim! Aprendi na marra, com gente que não se importou com a minha cara de “sabe tudo”. Agradeço a eles e aviso: aproveite, porque a promoção está no fim… 😀

5 locais para achar ideias para seus artigos

Tapping a PencilTodo escritor sabe que as ideias para os artigos, contos, romances, poesias, etc., estão em toda parte. Livros, sites e cursos sobre escrita nos dizem para buscar inspiração nas nossas vidas e no mundo em que vivemos.

A Musa Inspiradora que todos procuramos, pode ser facilmente acessada através de alguns momentos de reflexão: verifique seus interesses, experiências de vida e os tópicos que mais o atraem quando procura algo para ler.

Parece que nosso cérebro “escreve” o que mais “lê” e assim, as referências vêm naturalmente se nos dedicarmos, apenas, a prestar atenção ao que consumimos em termos de informação.

Contudo, há fases, ou dias, nos quais a página em branco vira um monstro… A esse fato, é dado o nome de “bloqueio do escritor”.

Isso vira um verdadeiro pesadelo se você é um escritor freelancer, que escreve artigos para sites, ou blogs, por exemplo.

Então, se está tendo dificuldades para encontrar ideias para textos, aqui estão cinco possibilidades que podem desencadear algumas “ondas cerebrais de criatividade” e mais lucros, no final do mês:

  1. Fóruns: Vá onde seu público-alvo está e descubra o que é que eles precisam saber. Fóruns na web e redes sociais são dois ótimos lugares para achar grandes temas. Cada tipo de comércio, hobby, ou ocupação tem um fórum na internet. Se você está escrevendo não-ficção, este é um terreno fértil de idéias para artigos. Fóruns estão zumbindo com atividade como: questões que usuários postam, respostas e buscas por informações. Eles também são importantes porque atualizam os dados no que diz respeito aos últimos artigos e notícias publicadas, o que poupa muito tempo, para quem já não o tem! Seja o seu assunto borboletas, ou física quântica, haverá um fórum específico sobre isso;
  2. Páginas Editoriais: Se você quer escrever para uma revista, ou site e está lutando para encontrar algo “apropriado” para mostrar a eles, consulte a página específica de submissão de artigos, ou o Kit para Anunciantes. Ela é uma mina de ouro de informações para o escritor freelancer. Você pode pensar que não há o menor sentido em conhecer preços de anúncios, prazos ou tamanhos, mas cuidado! Olhe para além dessas informações. As diretrizes, muitas vezes, têm informações sobre temas propostos para o ano e os prazos para inscrições. Isso pode ser útil para gerar todas as idéias dentro de seus temas. Pacotes de mídia também costumam informar sobre o perfil do leitor, o que eles querem da revista, faixa etária, classe social e interesses em geral;
  3. Sites de Perguntas: Todo mundo tem perguntas, incluindo potenciais leitores. Com o advento de sites como Yahoo! Respostas, os escritores têm agora acesso a centenas de questões que pairam por aí. O site tem temas agrupados em “categorias”, resolvidas e em aberto, e até mesmo “Melhores Respostas” (que quase sempre estão bem longe de serem completas e é aí que você entra!). Por exemplo, se você escrever sobre paternidade, um rápido olhar para a seção “Perguntas resolvidas” mostra temas sobre “obesidade na infância”, “quando dizer a uma criança que ele foi adotada”, “como lidar com as birras da criança”… Já forneci três temas… 🙂
  4. Seções de Classificados: Como escritores freelancers, somos lembrados, repetidamente, que as ideias objetivas funcionam melhor do que qualquer outra coisa, para uma revista, ou jornal. Embora você possa ter acesso à linha editorial de uma publicação, nada lhe dá uma melhor percepção do perfil de leitores do que os classificados. Com a publicidade trazendo a maior parte da receita, os anúncios são sempre cuidadosamente orientados para os leitores. Estudar os anúncios sempre lhe dará uma boa idéia sobre o que o editor está procurando e o que interessa ao leitor. Anúncios de elevadores, de casas de férias na Europa, dica aos leitores idosos que se aposentaram e têm dinheiro para gastar… Revistas para um público de pais jovens são susceptíveis de veicularem publicidade relacionada à moda, marcas de produtos alimentares, saúde e produtos voltados para crianças. Estudo da publicidade concentram-se, fundamentalmente, num público-alvo. Que tipo de artigo seria de seu interesse? Cada revista tem sua marca própria e única. Olhe para os classificados e você será capaz de imaginar artigos direcionados para cada publicação, individualmente. Quer ser o freelancer favorito de um editor? Leia os classificados…
  5. Comunicados de imprensa: Este material é produzido por pessoas que trabalham para empresas, divulgando para a imprensa, novos produtos e serviços. São os velhos e bons Press Releases… A dica é buscá-los e a partir de um texto que já existe, desenvolver uma pesquisa, procurar estatísticas e compor um segundo material, que pode até mesmo, divulgar as informações que recebeu no Press Release. Para ilustrar esse artigo, entrei no Google e fiz uma busca por “press release: brinquedos”. Selecionei, à esquerda, a coluna “mais” e “no último mês“. Encontrei desde lançamento de games, aos artigos do MacDonalds falando de Mac Lanche Feliz, passando por feiras específicas do setor. O que eu faria em seguida? Escolheria um tema que me atraísse, no caso, lançamento de games, e buscaria, agora, especificamente: “press release: games”, filtrando o período para “na última semana”. Mais uma dica é usar sites que se dedicam a divulgar esse material como o http://www.brandpress.com.br, separado inclusive, por categorias!

Por favor, se tiver mais dicas de sites específicos, deixe um comentário.

Nossa comunidade de “escritores bloqueados” agradece! 😀

Por que ouvir duas vezes a mesma história?

contoPor Alê Barello

Tem gente que me acha louca quando falo que leio duas, ou mais vezes, o mesmo livro…

O que essas mesmas pessoas se esquecem é de que quando pequenas, muito provavelmente, ouviam mais de uma vez as mesmas histórias; não se cansavam de ver os mesmos desenhos e adoravam ver a reprise do filme da Leoa Elza na Sessão da Tarde!

No caso das crianças e em relação aos Contos de Fadas, há uma explicação: existe uma parte da trama que ainda não foi compreendida. Assim, quando uma criança pede para que contemos novamente a mesma história é interessante fazer uma pergunta simples:

— Qual pedaço quer ouvir de novo?

Normalmente, elas respondem com rapidez e até sentem alívio em cortar caminho.

Note, porém, que o termo “compreensão” não é de todo racional. É o emocional que pede uma explicação para a maçã que envenena, para o menino que se perde na floresta, ou para o vitória contra o gigante.

Os arquétipos contidos nos Contos de Fada são acomodados no inconsciente e mais tarde, quando uma situação semelhante ocorre na vida real podem ser resgatados com facilidade, se estiverem registrados.

Registro tem a ver com repetição. Não é memória, é um tipo de encadeamento muito sutil, que dá sentido ao que foi apreendido.

E quanto a nós, os adultos que veem muitas vezes o mesmo filme ou leem diversas vezes os mesmos livros?

Se não somos iguais nem de um dia para o outro, que dirá de uma leitura para a outra!

A cada vez que relemos ou revemos um conteúdo ele está igual; nós é que estamos diferentes.

Livros e filmes são os contadores de história nas fogueiras das noites frias de um tempo que está muito distante, na composição de cada civilização.

Nossos ancestrais só tinham uma forma de perpetuar a cultura e os costumes: repetindo histórias que serviam para todos os propósitos e torcendo para que, se fossem memorizadas, continuassem a ser contadas para os filhos, netos, bisnetos e assim por diante.

Hoje, queremos uma coisa nova por dia.

“Que graça há em ouvir, novamente, a mesma história?”

Sente-se: isso pode impactar sua vida para todo o sempre…

Não existem muitas histórias diferentes. Os cenários, nomes e condições são trocados, mas a estrutura respeita uma gama mínima de possibilidades, que talvez não chegue a ocupar todos os dedos de duas mãos.

Ouvir as histórias dos outros, de novo, significa rever as suas. Querer histórias novas é desejar, lá no fundo, que seus próprios problemas tenham uma solução que ainda não foi revelada.

Valha-se disso e percorra, quantas vezes necessitar, as mesmas histórias.

O que você precisa pode saltar, de repente, numa frase que você nunca tinha prestado atenção.

Revendo prioridades

celularPor Alê Barello

Uma história para contar, de um tempo atrás...

“Informo, solenemente, que eu perdi meu celular!”

Ai ai ai!

Se eu fosse você, já estaria me perguntando: “o que eu tenho com isso?”

Vou chegar lá.

No final de 2013, perdi meu celular e com ele, milhares de informações contidas.

O tamanho não é exagerado. Minha lista de contatos tinha mais de 2 mil nomes, telefones e endereços eletrônicos. A parte de notas, estava lotada, tanto que já começara a deletar algumas e envia-las por email, para liberar espaço. Fotos, nem se fale! Fotografo momentos quaisquer, nada nem tão importante, nem tão urgente. A câmera não era a melhor parte do aparelho, mas minha vontade de registrar situações, placas, risadas e caretas era satisfeita com o clik. Tirava a foto e pronto, sossegava.

E sim, sofri bastante. Passei a primeira semana como as pessoas que perdem um parente por sumiço. Morte é diferente. Sumir não nos dá prova definitiva de separação. Não roubaram, tirando-o da minha mão com violência. Ele desapareceu, como se tivesse desmaterializado. Uma hora estava ali, na outra, nada.

Então começou o primeiro processo: culpa.

Pensei em todas as vezes que havia deixado o aparelho jogado; imaginei que poderia ser mais cuidadosa; por que é que eu não guardava as coisas sempre no mesmo lugar?

E sobre minha memória: o que era aquela lacuna entre a última vez que me lembro de tê-lo segurado e a manhã seguinte, quando dei por falta dele?

Usei tudo o que conhecia para me lembrar, em vão.

O segundo processo foi mais doloroso, porque era prático: o que havia dentro daquele  cérebro eletrônico que não estaria acessível no meu cérebro biológico?

A dor, no entanto, me libertou!

Posso listar, num guardanapo de lanchonete, daqueles pequenos e finos, os telefones das pessoas mais importantes na minha vida.  E para minha surpresa, quanto mais para trás na linha do tempo e do relacionamento, melhor ainda! Até de pessoas de quem me separei há anos, me lembro do número.

E tem aqueles com quem falo todos os dias e não sei mesmo nem mesmo dígito inicial! Mas ponho na conta da tecnologia: num dado momento deixei de selecionar e categorizar minha lista de importância e peguei de empréstimo a memória do celular.

Terceiro lugar nos processos: a aprendizagem vinda da experiência: uma lista de perguntas mentais, profundas e importantes, que vou mastigar nos próximos dias.

  • Quantos contatos, hein? Mas quantos deles, são relacionamentos?
  • Notas, notas e mais notas! Quantos pensamentos! Quantas listas de NUNCA MAIS ESQUECER E FAZER URGENTEMENTE PORQUE DISSO DEPENDE A MINHA FELICIDADE! E por que não fiz, se era tão importante? E por que não me lembro do que era para fazer, se achei que era tão importante?
  • O que está me levando a registrar cada momento? Estaria eu, tentando transformar os vários agora em uma história em quadrinhos, organizando numa linha de tempo os momentos banais? Como era minha vida antes da câmera do celular? Me lembro que registrávamos momentos significativos, importantes, datas e locais que realmente não deveriam ser esquecidos…  e aí? Tudo é significativo? Sim? Não?

Gratidão, celular perdido!

Estou viva, se bem que um pouco desacostumada a procurar novas alternativas para fazer velhas coisas, mas o fato me levou a diferentes caminhos…

Tive que ligar para três pessoas para achar o telefone de uma quarta. Desta forma, segui a trama dos relacionamentos e percebi que nada é tão problemático assim. Nem todo mundo tão importante assim. Nem tão perene assim! Posso mergulhar numa conversa com alguém, aproveitar ao máximo o encontro e nunca mais esbarrar na pessoa.  POSSO FICAR E POSSO PARTIR de um relacionamento.

Me lembro de notas e registros que continham meus sonhos, tarefas, atividades e desejos mais profundos. Os outros, não eram prioritários, tanto que nem sei deles! POSSO QUERER E POSSO DESISTIR DE PLANOS.

Quanto às imagens, ah… isso é interessante de contar: todas as fotos que adorei tirar, já compartilhei no meu Face, ou enviei por email para os queridos, na hora. As outras… poupei o trabalho de adivinharem o que eu pretendia ao registrar um pedaço de cabelo, um dedo do pé, um olhar estranho do gato, ou um pote de gelatina. Nem eu mesma saberia explicar. POSSO VER IMPORTÂNCIA EM CADA MOMENTO E POSSO VER O BANAL E O COMUM, MESMO NO IMPORTANTE.

Os amigos que precisaram falar comigo por celular tiveram paciência. Meu novo celular abriga poucos bytes e me proporciona o benefício de dar ao meu cérebro e ao meu coração a oportunidade de arquivar o que eu quiser, quando eu quiser.

Revisão profunda

revisarEste artigo é comprido e merece ser lido com cuidado. Ele é útil para aqueles que terminaram de contar uma história e sabem que estão próximos das grandes modificações que todos os textos requerem.

Por experiência própria e por ter feito “n” revisões em textos alheios, sei que isso é diferente do que imagina. Escritores acham que colocar palavras no papel em sequência lógica representa escrever um livro.

Além disso, podem imaginar que o trabalho de deixar o texto “redondo” é apenas do editor e do revisor…

Não, não e não!

Sua nova vida, de ESCRITOR, começa agora…

Por favor, imprima o artigo, pegue um copo de suco — ou uma taça de vinho… — e dedique-se a fazer a leitura completa deste texto antes de aplicá-lo ao seu original.

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10 minutos para planejar seu próximo livro

10 minutos para planejar seu livroTudo bem, eu te entendo. Você tem 1000 coisas para fazer por dia e não tem tempo para mais nada e sua história ficou em último plano . Sim, estou com você, de forma solidária.

Agora podemos sair do terreno das desculpas e passar para a ação? Ótimo.

Se está lendo isso, eu aposto que está na frente de um computador. Poderia ser um celular, um Ipad, um notebook, mas de qualquer forma, é um aparelho que serve ao seu propósito, que é o de escrever. Claro que não recomendo que redija o novo Crepúsculo no teclado de um Blackberry; nesse caso, um bloco de notas e uma caneta servirão, perfeitamente.

A primeira coisa a fazer, é ser absolutamente honesto: quanto tempo por dia você gasta no Facebook, esculpindo uma frase em 140 caracteres para o Twitter ou “lendo, editando, compartilhando” piadas e textos através de emails?

Comecei com o mais comum, mas não com o mais frequente… É possível que seus minutos estejam sendo sugados “pelas marmotas malvadas do filme Feitiço do Tempo“, enquanto você procura por um colega de escola, conversa num chat, ou bate palmas para os malucos dançarem, nos fóruns. Errei? Você, e só você, não faz isso, certo?

Todos nós estamos nessa. O tempo, aquele do qual precisamos para realizar os nossos objetivos, parece ficar fora do controle, quando temos… tempo! Isso porque, quando a coisa é séria e seu chefe pede um relatório “para ontem”, ele é produzido em 35 minutos! Mas sobra de tempo, isso sim, é problemático.

Então, concluímos que não nos falta tempo para escrever — fazemos isso a cada postagem no Facebook, a cada microfrase no Twitter. A questão é o bom uso do período que temos, independente de ser curto ou longo.

Daí, a segunda conclusão: no que isso difere da construção da sua história?

Quando explica que passou o final de semana em Penedo, com a Marcia e o Paulo, “(…) aqueles que casaram no ano passado, lembra? Não? A Marcia, que é loira e muito alta…? Sabe?” e espera a resposta do interlocutor para a continuação do seu diálogo, “construiu” um pequeno enredo. E se entrar em detalhes, estará cuidando da trama.

Muito bem: faça isso com a sua história!

Minha sugestão é que divida seu dia — ou seus dias — em blocos de 10 minutos e trabalhe no planejamento do seu texto, o que para a maiora dos escritores, é o mais complicado.

(Olhe, não vou explicar nesse post que uma história sem planejamento, é um barco sem comandante… Isso fica para uma próxima postagem, certo?)

Podemos fazer um teste?

  • 10 minutos para contar, em um ou dois parágrafos sobre a ideia geral do seu texto. O resultado disso é uma sinopse;
  • 10 minutos para dividir a sinopse em 4 partes. Dê um título a cada uma delas. Cada um dos blocos será chamado de ato;
  • 10 minutos para dedicar-se a um dos atos, dividindo-o em partes menores, das quais sairá um esboço de capítulos. Não é nem necessário que comece pelo primeiro ato, ou faça isso em sequência. Às vezes, temos mais certeza de um final, do que do meio da história. As peças irão juntar-se no final, confie em mim;
  • 10 minutos para levantar, de cada capítulo, os pontos fortes. Estes compões suas cenas.

Pausa de, ao menos dois dias, sem abrir o arquivo de planejamento, ou o bloco de notas… Depois:

  • 10 minutos para rever sinopse, atos e capítulos. Agora é hora de consertar a rota, se for preciso;
  • 10 minutos para rever as cenas, agora, encaixadas corretamente;
  • 10 minutos para biografar cada personagem de sua história. Prepare fichas individuais com as principais características e use quantos “10 minutos” precisar;
  • 10 minutos para definir, genericamente, os locais e ambientes. Organize seus arquivos, ou imprima roteiros, mapas e fotos.

Pronto! Você concluiu o planejamento e pode dedicar-se a pesquisar, detalhar, escrever e terminar o texto.

Quanto tempo isso levará? Minha conta somou uma estimativa de 4 atos, 4 capítulos em cada ato, com 4 cenas em cada capítulo e 5 personagens… Isso deu 420 minutos, ou 7 horas! Que tal transformar em 1 hora por dia e, em uma semana, preparar seu esboço para começar a escrever?

Agora, tem condições de decidir como e em quanto tempo, escreverá a história toda.

Eu, por exemplo, trabalho em cenas, nem sempre na mesma ordem planejada, mas isso pode parecer confuso para quem não tem muita prática com esboços. Não importa: o pulo do gato é concentrar-se em seguir a rota que traçou, como se fosse um plano de viagem, um guia. Numa viagem, podemos visitar um Museu antes de ir à praia, ou ao contrário e isso só depende da nossa disposição naquele momento. Com o texto, é exatamente igual.

Segure o seu guia com as duas mãos e vá em frente!