Lindas Mulheres

maoPor Iara Bichara

Vinicius de Morais, grande poeta e compositor brasileiro, reverenciado por todos da nossa geração como um grande galanteador e amante inveterado, sabia como ninguém, tocar o coração das mulheres. Adorável em suas colocações e doces palavras, o “poetinha”, como era conhecido, cometeu uma grande falha, quando disse: “que me perdoem as feias, mas beleza é fundamental”.

Beleza não é apenas fundamental, mas imprescindível. Porém, enganou-se Vinicius, pois não existem mulheres feias. Existem mulheres tristes, mulheres sem autoestima, mulheres que ainda não descobriram o quanto são belas.

Há algo mais sublime do que a nossa existência? E quem guarda a mágica que os cientistas tanto buscam reproduzir? A MULHER!

Toda mulher possui dentro de si o cálice da vida e, mesmo que nunca reproduza, na genética da biologia humana, vive a criar ao longo de sua existência. Mulheres criam filhos – seus e dos outros, criam projetos, criam animaizinhos, criam destinos, criam sonhos…

Desde muito pequenina, pode-se distinguir a força e a beleza que a mulher carrega e que não se extingue com o passar dos anos. Quando a força física começa a declinar é justamente quando brota a força de sua sabedoria. Hoje, com o aumento da longevidade e com todos os recursos que dispomos, encontramos mulheres que passaram dos sessenta anos e são mais interessantes atualmente do que quando tinham vinte.

Essa beleza, que irradia e contagia, não depende de grifes, de luxo, de plásticas, de peso, de tratamentos, de malhação e de todos os apelos a que estamos sujeitas a cada instante. Depende apenas do brilho no olhar, do agradecimento pela vida e do amor que podemos irradiar.

Portanto, vamos lá, lindas mulheres experientes, sábias e conhecedoras de seus poderes: assumam a beleza como um tesouro pessoal e a espalhem por todos os lugares onde passarem, espalhando alegria, carinho, emoções e, por que não, arrebatando corações!

Leitura Harmonizada: Estórias da Casa Velha da Ponte

cora-coralina

Por Iara Bichara

É com toda a reverência e respeito que passo para vocês a sugestão de hoje.

Certamente, se perguntarem a qualquer um de nós quem foi Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, pouquissímas pessoas se atreverão a responder. Mas quando se fala em Cora Coralina, mesmo aqueles que nunca leram uma de suas histórias, ou um de seus belos poemas, lembrar-se-ão, imediatamente, daquela mulher miúda, de olhos vivos e espertos, de rostinho marcado pelo tempo vivido e emoldurado pelos brancos cabelos.

Cora Coralina, pseudônimo escolhido pela autora quando jovem, mas com o qual passou a ser chamada depois dos 50 anos de idade, era filha de um desembargador nomeado por D. Pedro II. Nasceu em 20/08/1889 e foi criada na antiga Vila Boa de Goiás, em um casarão comprado por seu bisavô, às margens do rio Vermelho.

Cursou apenas as quatro séries do curso primário, coisa que na época era um grande feito para as mulheres, e com 14 anos de idade, tinha seus textos publicados nos jornais de Goiás. Porém, seu primeiro livro foi publicado somente em 1965, quando Cora Coralina estava com quase 76 anos de idade.

Pois bem, a sugestão de leitura harmonizada de hoje, entre tantos belos escritos da autora, é:

Livro: Estórias da Casa Velha da Ponte

Autora: Cora Coralina

Editora: Global Editora

Assunto:

Coletânea de 17 contos onde a autora, grande contadora de histórias, nos brinda com as memórias de seu passado, vivido na casa onde nascera.

Sua fragilidade física nada tem a ver com a firmeza e o vigôr de seus textos, nem com suas reflexões maduras e firmes.

Os relatos sobre o cotidiano e a cultura da época nos emocionam e nos remetem a um tempo de valores rígidos, de pouca utilização de regras gramaticais, mas de muita profundidade e simplicidade no trato de questões que ainda hoje nos afligem.

Como a autora foi excelente quituteira e passou grande parte de sua vida produzindo e vendendo linguiças e doces, iremos aguçar seu paladar, sugerindo um cardápio com comidas típicas da região. Prepare-se!

 

Casarão à beira do rio

  1. 1.     Acepipes

 

a)     Linguiça de lombo assada e cortada em fatias finas, acompanhada por tiras de broa de fubá.

 

b)    Arroz com Pequi

Ingredientes:

½ quilo de pequi limpo e cortado em pedaços

2 dentes de alho picados

3 colheres de sopa de óleo de milho

1 xícaras de arroz

1 xícara de água fria

3 xícaras de água fervendo

Sal à gosto

Modo de preparo:

Aquecer o óleo em panela grossa de alumínio ou ferro

Fritar o alho e acrescentar o pequí.

Colocar aos poucos a água fria, para cozinhar o pequi.

Acrescentar o arroz, a água fervendo e acertar o sal.

 

  1. 2.     Bebidas
  • Suco de Abacaxi ou
  • Suco de Jaboticaba
  1. Doçuras

Pastelinho de doce de leite

Ingredientes da massa:

½ quilo de farinha de trigo

250 g de gordura hidrogenada

1 colher de leite gelado

1 pitada de sal

1 colher de fermento em pó

Recheio:

Doce de leite

Canela em pó

Modo de Preparo

Junte em uma tigela todos os ingredientes da massa e misture com as pontas dos dedos até obter uma massa lisa e homogênea. Deixe descansar por 20 minutos. Abra a massa em formas de empadinhas e leve ao forno até a massa assar e começar a dourar. Retire do forno, recheie com o doce de leite e leve novamente ao forno,  até derreter o doce de leite. Na hora de servir, polvilhe a canela em pó.

 

  1. 3.     Dicas

a)     Você pode servir-se apenas do petisco de linguiça fatiada, acompanhado da broa de milho ou reparar o arroz e acompanhá-lo com a linguiça assada.

b)    Se achar que vai ter muito trabalho para fazer os pasteizinhos, utilize como doçuras sequilhos grudados (de dois em dois) com doce de leite.

c)     Para os sucos, você poderá utilizar a fruta natural, ou a polpa congelada.

 

E não se esqueça de, a cada mordida, dizer HUM…

Estou certa de que você irá se deliciar com a leitura e com os quitutes. Até a próxima semana e FIQUE BEM!

Coisas que se perderam no tempo

 

i373869Por Iara Bichara

Sou de um tempo em que os filmes emocionavam; em que as canções eram decoradas; em que os luares eram festejados…

Os entardeceres eram brindados com cadeiras nas calçadas e os vizinhos conversavam alegremente enquanto as crianças brincavam…

O pipoqueiro preparava a pipoca na hora, assim como o homem do algodão doce. Vez por outra, aparecia um vendedor de cocadas ou de amendoins… O amolador de tesouras e facas tinha seu apito característico e o vendedor de bijus, sua matraca inconfundível.

Os quitutes eram divididos entre os amigos e eu esperava sempre pelos suspiros crocantes que Elza, amiga de minha mãe, fazia com os ovos fornecidos pelo nosso galinheiro. Dona Eugênia fazia pamonhas deliciosas e os Strufulis de Dona Tereza jamais serão esquecidos.

Receitas e mudas de plantas eram trocadas e também as dicas sobre as novidades que surgiam em países da Europa ou nos Estados Unidos, especialmente sobre os eletrodomésticos, que eram a sensação do momento.

Todas as crianças iam para a escola a pé e sozinhas. Quando se atrasavam, os pais não temiam o que tivesse acontecido com elas, mas as artes e encrencas que estivessem aprontando.

Professora era sinônimo de respeito e tinha total autoridade no seu espaço. Os docinhos e flores que levávamos para as mais simpáticas, de nada valiam quando se tratava de bagunça, de briga ou de insubordinação.

As provas eram escritas e orais e todos assistiam à vitória ou ao vexame, no maior silêncio, sabendo que também passariam pelo mesmo cadafalso.

As classes eram bastante heterogêneas, tanto em questões raciais, quanto econômicas e isso não fazia a menor diferença, pois todos usavam uniformes iguais, do sapato até a gravata, tanto meninas, quanto meninos.

Discórdia sempre existia, mas era resolvida na hora. Os mais bobinhos sempre tinham um irmão mais velho ou amigo que os defendiam e acabavam com a disputa.

Também sempre havia os que tiravam notas melhores e os que repetiam o ano, mas isso não era motivo para troca de escola, nem para traumas. A vida seguia seu curso e, no final, todos acabavam se encaminhando na vida.

As amizades eram antigas e as pessoas se visitavam constantemente e isso criava um vínculo de cumplicidade e ajuda que perdurava por gerações.

Minha adolescência foi repleta de inocentes “bailinhos”, nome vulgar das “Reuniões Dançantes”, realizados nas tardes dos finais de semana, geralmente em garagens ou pequenos clubes, cujos convites eram vendidos para angariar dinheiro para o baile de formatura do Ginásio.

Aliás, esse era o evento mais esperado das férias. Os convites eram restritos à família e aos amigos mais próximos dos formandos e eram disputados arduamente.

Os trajes eram caprichados e a escolha dos salões era feita com anos de antecedência, assim como a das orquestras. Quem não dançou no Salão do Aeroporto de Congonhas, com sua nobre escadaria de corrimões dourados, ao som da Orquestra de Pocho, não sabe o que era requinte. E o melhor era ficar até o final do baile para participar da apoteose da orquestra e tomar o famoso café do saguão do aeroporto.

Outros clubes, como o Pinheiros, o Holms e outras orquestras, como Simonetti, Severino Araújo, Erlon Chaves, também faziam muito sucesso. Claro que não podiam faltar as canções de Ray Conniff  – quando tocava “La Mer”, ninguém ficava sentado.

Porém, o máximo da elegância era o Chá de Formatura do Fasano, tradicional em alguns colégios de freiras. Mesmo quem não tinha muitos recursos, ou era bolsista, economizava por anos para participar desse grande dia.

Esse glamour ingênuo que terminou nos anos 60 deu lugar ao medo, à repressão, à desconfiança que permearam o final da década e as que se seguiram.

A partir daí, que pena, a nossa cidade mudou… Entristeceu… Ficou pálida… Trancou-se dentro da sala e ligou a televisão. Trancou portas e janelas. Comprou uma casa, um carro, outra casa na praia, um chalé na montanha e empobreceu…

Nunca mais retomou sua alegria, pois o dinheiro não compra o riso, nem a amizade pura e sincera. Nem a tecnologia substitui o calor de um abraço, de uma prosa descompromissada ou de um sonho!

Leitura Harmonizada: Estórias da Casa Velha da Ponte

É com toda a reverência e respeito que passo para vocês a sugestão de hoje.

Certamente, se perguntarem a qualquer um de nós quem foi Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, pouquissímas pessoas se atreverão a responder. Mas quando se fala em Cora Coralina, mesmo aqueles que nunca leram uma de suas histórias, ou um de seus belos poemas, lembrar-se-ão, imediatamente, daquela mulher miúda, de olhos vivos e espertos, de rostinho marcado pelo tempo vivido e emoldurado pelos brancos cabelos.

Cora Coralina, pseudônimo escolhido pela autora quando jovem, mas com o qual passou a ser chamada depois dos 50 anos de idade, era filha de um desembargador nomeado por D. Pedro II. Nasceu em 20/08/1889 e foi criada na antiga Vila Boa de Goiás, em um casarão comprado por seu bisavô, às margens do rio Vermelho.

Cursou apenas as quatro séries do curso primário, coisa que na época era um grande feito para as mulheres, e com 14 anos de idade, tinha seus textos publicados nos jornais de Goiás. Porém, seu primeiro livro foi publicado somente em 1965, quando Cora Coralina estava com quase 76 anos de idade.

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