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10 coisas que eu gostaria de ter ensinado a mim mesma, bem antes…

Eu sempre soube que seria escritora.

Claro que a vida dá voltas e que fazemos opções das quais nos arrependemos, posteriormente.

Eu não fiz muitas… Mas uma péssima escolha numa outra área de formação, acabou comigo, por mais de 10 anos e como era relacionada justamente ao aspecto profissional, paralizou minhas forças, meus recursos e meus sonhos. Continue lendo “10 coisas que eu gostaria de ter ensinado a mim mesma, bem antes…”

Proteja seus textos com Creative Commons

Por Ronaldo Lemos

O Creative Commons é um projeto global, presente em mais de 40 países, que cria um novo modelo de gestão dos direitos autorais.

No Brasil, ele é coordenado pela Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas no Rio de Janeiro. Ele permite que autores e criadores de conteúdo, como músicos, cineastas, escritores, fotógrafos, blogueiros, jornalistas e outros, possam permitir alguns usos dos seus trabalhos por parte da sociedade. Assim, se eu sou um criador intelectual, e desejo que a minha obra seja livremente circulada pela Internet, posso optar por licenciar o meu trabalho escolhendo alguma das licenças do Creative Commons. Com isso, qualquer pessoa, em qualquer país, vai saber claramente que possui o direito de utilizar a obra, de acordo com a licença escolhida (veja abaixo uma explicação dos vários tipos de licença).
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Mecanismos de enfrentamento para a depressão

A depressão pode ser fonte de uma doença emocional e mental grave, quando não controlada. Em algum momento, quando uma pessoa deprimida não consegue lidar com seus sentimentos de depressão ela tende a construir o seu próprio mundo e infelizmente, tomar decisões contra a própria vida. Outras, não conseguem distinguir entre o certo e o errado.

Se você tem sente que pode estar entrando na roda-viva da depressão, precisa do que chamamos de mecanismos de enfrentamento. Você não deve deixar a depressão passar por cima de você e penetrar em sua natureza muito pessoal.

Aqui estão alguns dos mecanismos de enfrentamento que você pode usar, ao sentir-se deprimido:

1) Considere as causas e as razões pelas quais percebe-se deprimido. Para certificar-se de que você entenda essas causas, você pode fazer uma auto-investigação. Com base no que você pesquisou, reflita. O que será que isso significa para você? É algo que apareceu de repente, ou volta, recorrentemente? Tem a ver com alguma situação ou pessoa específica? É possível afastar-se do problema que gera esse sentimento em você?

2) Garanta a qualidade de seu sono. Às vezes, o sentimento depressivo é alimentado pela falta de sono e descanso. Certifique-se de dormir de seis a oito horas todos os dias, e suas manhãs serão bem melhores!

3) Faça exercícios simples, mesmo que só em casa. Você pode correr, caminhar ou fazer exercícios de alongamento. Ao mesmo tempo, você está permitindo concentrar-se em atividades físicas, e afastando pensamentos negativos, além de organizar os hormônios que trazem sensação de bem-estar.

4) Mantenha-se ocupado. Assista seu filme favorito, leia um livro ou faça alguma atividade manual. Estas atividades irão manter seu corpo e sua mente afastados de pensamentos recorrentes. Além disso, planeje suas atividades para o dia, ocupando o máximo de tempo possível.

5) Converse com os amigos. Todos passam por situações difíceis e vários momentos depressivos ao longo da vida e talvez, uma das histórias que você ouvir deles possa ajudá-lo a ter algum insight sobre o seu próprio problema. Nunca se compare com os outros, porque você é uma pessoa única. Não tenha medo de pedir conselhos, ou visitar um médico se a depressão persistir.

6) Não abra mão de lidar com a depressão. Algumas angústias passam com o decorrer dos dias, mas outras, podem tornar-se uma doença séria, que precisa de cuidados. O importante é que você fique atento ao que sente e cada vez que “sair da rota” do seu estado normal de comportamento, investigue  o assunto para voltar a ser quem é.

Cuide-se, sempre.

10 coisas que eu gostaria de ter ensinado a mim mesma, bem antes…

High school library - happy student with bookEu sempre soube que seria escritora.

Claro que a vida dá voltas e que fazemos opções das quais nos arrependemos, posteriormente.

Eu não fiz muitas… Mas uma péssima escolha numa outra área de formação, acabou comigo, por mais de 10 anos e como era relacionada justamente ao aspecto profissional, paralisou minhas forças, meus recursos e meus sonhos.

Nesse período de exílio, escrevi pouco e pior: escrevi mal.

Falando especificamente sobre a carreira do escritor, gostaria de ter aprendido antes, algumas coisas que hoje viraram leis na minha vida.

A elas, imediatamente:

  1. Respeitar o ritmo: a atividade intelectual é cansativa e requer muita disciplina. Não conseguimos, contudo, uma concentração tal, que nos faça ficar grudados à cadeira por mais de 40 minutos. Sim, segundo os cientistas, a capacidade média de concentração entra em “picos” e não dura mais do que ¾ de hora, o que quer dizer, que você precisa MESMO de uma pausa, ou irá produzir menos do que gostaria. Por isso: não deixe tudo para a última hora. Se não esteve inspirado até agora, como acha que ficará, 20 minutos antes de enviar um texto? Antecipe-se.
  2. Amar os cronogramas:  preparar um plano que caiba no dia, sem que se fique atropelado por todos os imprevistos, além de sábio, é útil.  Programe-se e mais importante: CUMPRA o planejado!
  3. Retomar a produção: nisso eu dei sorte!  Leio alguns textos de 20 anos atrás, que escrevi sem muito preparo e acho que foram “psicografados”.  A grande sacada é que agora, pensando diferente e conhecendo mais técnicas e processos de escrita, posso reescrevê-los e torná-los, verdadeiramente, meus textos!
  4. Perceber o momento: relacionado ao item anterior, a percepção ligada ao momento é como uma intuição: devo mostrar o texto agora, ou posso esperar e enquanto isso, melhorá-lo? Se você não tem paciência, nem mesmo com sua própria produção, irá cair nas muitas armadilhas do tempo. Publicará coisas fraquinhas, será julgado antecipadamente e provavelmente, receberá o número suficiente de “nãos” que qualquer pessoa com um pingo de amor próprio não toleraria, ou seja: é capaz que desista, antes de começar. Acontece que o momento também tem um momentum… Não espere até que o texto “morra”, nem para os leitores, nem para você.
  5. Procurar os semelhantes: já percebeu que quase todo mundo que conhece “escreve”? Pois é. Este mundo não é tão grande assim e é claro que suas relações trarão mais semelhantes, do que diferentes. Aprender com eles e compartilhar as dúvidas, deve ser um exercício diário.
  6. Anotar as ideias: bem, acho que entendeu, claramente. De uns tempos para cá não consigo mais me desfazer de minhas cadernetas e fichas e adquiri o hábito inconveniente de, no meio de uma conversa, esticar o braço em sinal de “espere aí”, sacar a caneta e escrever a “genial” ideia que acabei de ter. Muitas vezes, dá em absolutamente nada; outras, era tudo o que faltava para completar a página…
  7. Lidar com a frustração: para mim, não há nada pior do que, ao passear por uma livraria, encontrar o título e o tema que “anotei”, 5 anos atrás, para um dia escrever. O que descobri, é que não sou só eu que tenho acesso irrestrito à Biblioteca Akáshica. Assim, virou questão de vida ou morte, tomar a seguinte atitude: a) quando tenho uma ideia, escrevo imediatamente sobre o assunto; b) ao achar a “minha ideia” numa publicação, abençoo o trabalho alheio e saúdo o Universo, que afinal, é pródigo!
  8. Cuidar da produção: quantos blogs já comecei? Quantas redes já integrei? De quantas coletâneas já participei, sem ficar com nenhum exemplar? Quantas matérias, artigos, comentários, publiquei e não tenho nem ideia de onde foram parar? Adoramos seguir a vida dos outros, mas e a nossa? Está organizada? Não é tanto “o que” você escreve, mas se não sabe nem por onde suas frases estão espalhadas, fica bem difícil gerenciar sua vida literária. Isso passa por organização, método e por backups… Ai ai ai… Você tem um? Não é suficiente! Armazene seus textos em locais diferentes, mantenha um diário de links e salve as páginas. Muitas coisas (ainda bem!)  não ficarão online para todo o sempre e daí que você nunca mais verá seu texto, caso tenha digitado diretamente num site, sem cópia.
  9. Economizar discursos: se o seu trabalho é fundamentalmente intelectual, é bem provável que só goste de falar sobre ele. A gente acaba cansando os amigos, os familiares, os companheiros, os filhos, os sobrinhos, os irmãos, os vizinhos, os alunos, os professores, com o nosso blá blá blá literário. Lembre-se, além disso, que amigo não é cliente! (Bem, entenda que o que escreveu até pode ser arte, mas o produto em si, é comercial, daí a questão do leitor/cliente!) Pode ser e pode não ser… Se você só manda um email quando vai lançar um livro, ou atualiza sua rede social quando escreveu um artigo, saiba que todos notam seu “interesse” pelos amigos. Acaso não sabe falar de outra coisa? UMPF! Marketing é bom… na medida certa.
  10. Perseverar no objetivo:  você tem um plano? Ótimo, é um bom começo. Não desista dele. Vá atrás do seu sonho e saiba, principalmente, que não será fácil alcançá-lo. Não se desepere: o mercado muda, a moda muda, as tendências mudam e se hoje existem 20 títulos sobre vampiro e sua obssessão é essa, caso a sua obra seja realmente boa, terá espaço. Leu o “realmente boa”? Pois é, enquanto espera as coisas se ajeitarem, cuide de melhorar: aprimore suas técnicas, estude, leia, refaça, conheça o trabalho de outros autores.
  11. Eram 10, mas acabou de ganhar um bônus: conselhos podem ser bons, sim! Aprendi na marra, com gente que não se importou com a minha cara de “sabe tudo”. Agradeço a eles e aviso: aproveite, porque a promoção está no fim… 😀

5 locais para achar ideias para seus artigos

Tapping a PencilTodo escritor sabe que as ideias para os artigos, contos, romances, poesias, etc., estão em toda parte. Livros, sites e cursos sobre escrita nos dizem para buscar inspiração nas nossas vidas e no mundo em que vivemos.

A Musa Inspiradora que todos procuramos, pode ser facilmente acessada através de alguns momentos de reflexão: verifique seus interesses, experiências de vida e os tópicos que mais o atraem quando procura algo para ler.

Parece que nosso cérebro “escreve” o que mais “lê” e assim, as referências vêm naturalmente se nos dedicarmos, apenas, a prestar atenção ao que consumimos em termos de informação.

Contudo, há fases, ou dias, nos quais a página em branco vira um monstro… A esse fato, é dado o nome de “bloqueio do escritor”.

Isso vira um verdadeiro pesadelo se você é um escritor freelancer, que escreve artigos para sites, ou blogs, por exemplo.

Então, se está tendo dificuldades para encontrar ideias para textos, aqui estão cinco possibilidades que podem desencadear algumas “ondas cerebrais de criatividade” e mais lucros, no final do mês:

  1. Fóruns: Vá onde seu público-alvo está e descubra o que é que eles precisam saber. Fóruns na web e redes sociais são dois ótimos lugares para achar grandes temas. Cada tipo de comércio, hobby, ou ocupação tem um fórum na internet. Se você está escrevendo não-ficção, este é um terreno fértil de idéias para artigos. Fóruns estão zumbindo com atividade como: questões que usuários postam, respostas e buscas por informações. Eles também são importantes porque atualizam os dados no que diz respeito aos últimos artigos e notícias publicadas, o que poupa muito tempo, para quem já não o tem! Seja o seu assunto borboletas, ou física quântica, haverá um fórum específico sobre isso;
  2. Páginas Editoriais: Se você quer escrever para uma revista, ou site e está lutando para encontrar algo “apropriado” para mostrar a eles, consulte a página específica de submissão de artigos, ou o Kit para Anunciantes. Ela é uma mina de ouro de informações para o escritor freelancer. Você pode pensar que não há o menor sentido em conhecer preços de anúncios, prazos ou tamanhos, mas cuidado! Olhe para além dessas informações. As diretrizes, muitas vezes, têm informações sobre temas propostos para o ano e os prazos para inscrições. Isso pode ser útil para gerar todas as idéias dentro de seus temas. Pacotes de mídia também costumam informar sobre o perfil do leitor, o que eles querem da revista, faixa etária, classe social e interesses em geral;
  3. Sites de Perguntas: Todo mundo tem perguntas, incluindo potenciais leitores. Com o advento de sites como Yahoo! Respostas, os escritores têm agora acesso a centenas de questões que pairam por aí. O site tem temas agrupados em “categorias”, resolvidas e em aberto, e até mesmo “Melhores Respostas” (que quase sempre estão bem longe de serem completas e é aí que você entra!). Por exemplo, se você escrever sobre paternidade, um rápido olhar para a seção “Perguntas resolvidas” mostra temas sobre “obesidade na infância”, “quando dizer a uma criança que ele foi adotada”, “como lidar com as birras da criança”… Já forneci três temas… 🙂
  4. Seções de Classificados: Como escritores freelancers, somos lembrados, repetidamente, que as ideias objetivas funcionam melhor do que qualquer outra coisa, para uma revista, ou jornal. Embora você possa ter acesso à linha editorial de uma publicação, nada lhe dá uma melhor percepção do perfil de leitores do que os classificados. Com a publicidade trazendo a maior parte da receita, os anúncios são sempre cuidadosamente orientados para os leitores. Estudar os anúncios sempre lhe dará uma boa idéia sobre o que o editor está procurando e o que interessa ao leitor. Anúncios de elevadores, de casas de férias na Europa, dica aos leitores idosos que se aposentaram e têm dinheiro para gastar… Revistas para um público de pais jovens são susceptíveis de veicularem publicidade relacionada à moda, marcas de produtos alimentares, saúde e produtos voltados para crianças. Estudo da publicidade concentram-se, fundamentalmente, num público-alvo. Que tipo de artigo seria de seu interesse? Cada revista tem sua marca própria e única. Olhe para os classificados e você será capaz de imaginar artigos direcionados para cada publicação, individualmente. Quer ser o freelancer favorito de um editor? Leia os classificados…
  5. Comunicados de imprensa: Este material é produzido por pessoas que trabalham para empresas, divulgando para a imprensa, novos produtos e serviços. São os velhos e bons Press Releases… A dica é buscá-los e a partir de um texto que já existe, desenvolver uma pesquisa, procurar estatísticas e compor um segundo material, que pode até mesmo, divulgar as informações que recebeu no Press Release. Para ilustrar esse artigo, entrei no Google e fiz uma busca por “press release: brinquedos”. Selecionei, à esquerda, a coluna “mais” e “no último mês“. Encontrei desde lançamento de games, aos artigos do MacDonalds falando de Mac Lanche Feliz, passando por feiras específicas do setor. O que eu faria em seguida? Escolheria um tema que me atraísse, no caso, lançamento de games, e buscaria, agora, especificamente: “press release: games”, filtrando o período para “na última semana”. Mais uma dica é usar sites que se dedicam a divulgar esse material como o http://www.brandpress.com.br, separado inclusive, por categorias!

Por favor, se tiver mais dicas de sites específicos, deixe um comentário.

Nossa comunidade de “escritores bloqueados” agradece! 😀

Por que ouvir duas vezes a mesma história?

contoPor Alê Barello

Tem gente que me acha louca quando falo que leio duas, ou mais vezes, o mesmo livro…

O que essas mesmas pessoas se esquecem é de que quando pequenas, muito provavelmente, ouviam mais de uma vez as mesmas histórias; não se cansavam de ver os mesmos desenhos e adoravam ver a reprise do filme da Leoa Elza na Sessão da Tarde!

No caso das crianças e em relação aos Contos de Fadas, há uma explicação: existe uma parte da trama que ainda não foi compreendida. Assim, quando uma criança pede para que contemos novamente a mesma história é interessante fazer uma pergunta simples:

— Qual pedaço quer ouvir de novo?

Normalmente, elas respondem com rapidez e até sentem alívio em cortar caminho.

Note, porém, que o termo “compreensão” não é de todo racional. É o emocional que pede uma explicação para a maçã que envenena, para o menino que se perde na floresta, ou para o vitória contra o gigante.

Os arquétipos contidos nos Contos de Fada são acomodados no inconsciente e mais tarde, quando uma situação semelhante ocorre na vida real podem ser resgatados com facilidade, se estiverem registrados.

Registro tem a ver com repetição. Não é memória, é um tipo de encadeamento muito sutil, que dá sentido ao que foi apreendido.

E quanto a nós, os adultos que veem muitas vezes o mesmo filme ou leem diversas vezes os mesmos livros?

Se não somos iguais nem de um dia para o outro, que dirá de uma leitura para a outra!

A cada vez que relemos ou revemos um conteúdo ele está igual; nós é que estamos diferentes.

Livros e filmes são os contadores de história nas fogueiras das noites frias de um tempo que está muito distante, na composição de cada civilização.

Nossos ancestrais só tinham uma forma de perpetuar a cultura e os costumes: repetindo histórias que serviam para todos os propósitos e torcendo para que, se fossem memorizadas, continuassem a ser contadas para os filhos, netos, bisnetos e assim por diante.

Hoje, queremos uma coisa nova por dia.

“Que graça há em ouvir, novamente, a mesma história?”

Sente-se: isso pode impactar sua vida para todo o sempre…

Não existem muitas histórias diferentes. Os cenários, nomes e condições são trocados, mas a estrutura respeita uma gama mínima de possibilidades, que talvez não chegue a ocupar todos os dedos de duas mãos.

Ouvir as histórias dos outros, de novo, significa rever as suas. Querer histórias novas é desejar, lá no fundo, que seus próprios problemas tenham uma solução que ainda não foi revelada.

Valha-se disso e percorra, quantas vezes necessitar, as mesmas histórias.

O que você precisa pode saltar, de repente, numa frase que você nunca tinha prestado atenção.

Revendo prioridades

celularPor Alê Barello

Uma história para contar, de um tempo atrás...

“Informo, solenemente, que eu perdi meu celular!”

Ai ai ai!

Se eu fosse você, já estaria me perguntando: “o que eu tenho com isso?”

Vou chegar lá.

No final de 2013, perdi meu celular e com ele, milhares de informações contidas.

O tamanho não é exagerado. Minha lista de contatos tinha mais de 2 mil nomes, telefones e endereços eletrônicos. A parte de notas, estava lotada, tanto que já começara a deletar algumas e envia-las por email, para liberar espaço. Fotos, nem se fale! Fotografo momentos quaisquer, nada nem tão importante, nem tão urgente. A câmera não era a melhor parte do aparelho, mas minha vontade de registrar situações, placas, risadas e caretas era satisfeita com o clik. Tirava a foto e pronto, sossegava.

E sim, sofri bastante. Passei a primeira semana como as pessoas que perdem um parente por sumiço. Morte é diferente. Sumir não nos dá prova definitiva de separação. Não roubaram, tirando-o da minha mão com violência. Ele desapareceu, como se tivesse desmaterializado. Uma hora estava ali, na outra, nada.

Então começou o primeiro processo: culpa.

Pensei em todas as vezes que havia deixado o aparelho jogado; imaginei que poderia ser mais cuidadosa; por que é que eu não guardava as coisas sempre no mesmo lugar?

E sobre minha memória: o que era aquela lacuna entre a última vez que me lembro de tê-lo segurado e a manhã seguinte, quando dei por falta dele?

Usei tudo o que conhecia para me lembrar, em vão.

O segundo processo foi mais doloroso, porque era prático: o que havia dentro daquele  cérebro eletrônico que não estaria acessível no meu cérebro biológico?

A dor, no entanto, me libertou!

Posso listar, num guardanapo de lanchonete, daqueles pequenos e finos, os telefones das pessoas mais importantes na minha vida.  E para minha surpresa, quanto mais para trás na linha do tempo e do relacionamento, melhor ainda! Até de pessoas de quem me separei há anos, me lembro do número.

E tem aqueles com quem falo todos os dias e não sei mesmo nem mesmo dígito inicial! Mas ponho na conta da tecnologia: num dado momento deixei de selecionar e categorizar minha lista de importância e peguei de empréstimo a memória do celular.

Terceiro lugar nos processos: a aprendizagem vinda da experiência: uma lista de perguntas mentais, profundas e importantes, que vou mastigar nos próximos dias.

  • Quantos contatos, hein? Mas quantos deles, são relacionamentos?
  • Notas, notas e mais notas! Quantos pensamentos! Quantas listas de NUNCA MAIS ESQUECER E FAZER URGENTEMENTE PORQUE DISSO DEPENDE A MINHA FELICIDADE! E por que não fiz, se era tão importante? E por que não me lembro do que era para fazer, se achei que era tão importante?
  • O que está me levando a registrar cada momento? Estaria eu, tentando transformar os vários agora em uma história em quadrinhos, organizando numa linha de tempo os momentos banais? Como era minha vida antes da câmera do celular? Me lembro que registrávamos momentos significativos, importantes, datas e locais que realmente não deveriam ser esquecidos…  e aí? Tudo é significativo? Sim? Não?

Gratidão, celular perdido!

Estou viva, se bem que um pouco desacostumada a procurar novas alternativas para fazer velhas coisas, mas o fato me levou a diferentes caminhos…

Tive que ligar para três pessoas para achar o telefone de uma quarta. Desta forma, segui a trama dos relacionamentos e percebi que nada é tão problemático assim. Nem todo mundo tão importante assim. Nem tão perene assim! Posso mergulhar numa conversa com alguém, aproveitar ao máximo o encontro e nunca mais esbarrar na pessoa.  POSSO FICAR E POSSO PARTIR de um relacionamento.

Me lembro de notas e registros que continham meus sonhos, tarefas, atividades e desejos mais profundos. Os outros, não eram prioritários, tanto que nem sei deles! POSSO QUERER E POSSO DESISTIR DE PLANOS.

Quanto às imagens, ah… isso é interessante de contar: todas as fotos que adorei tirar, já compartilhei no meu Face, ou enviei por email para os queridos, na hora. As outras… poupei o trabalho de adivinharem o que eu pretendia ao registrar um pedaço de cabelo, um dedo do pé, um olhar estranho do gato, ou um pote de gelatina. Nem eu mesma saberia explicar. POSSO VER IMPORTÂNCIA EM CADA MOMENTO E POSSO VER O BANAL E O COMUM, MESMO NO IMPORTANTE.

Os amigos que precisaram falar comigo por celular tiveram paciência. Meu novo celular abriga poucos bytes e me proporciona o benefício de dar ao meu cérebro e ao meu coração a oportunidade de arquivar o que eu quiser, quando eu quiser.

Lindas Mulheres

maoPor Iara Bichara

Vinicius de Morais, grande poeta e compositor brasileiro, reverenciado por todos da nossa geração como um grande galanteador e amante inveterado, sabia como ninguém, tocar o coração das mulheres. Adorável em suas colocações e doces palavras, o “poetinha”, como era conhecido, cometeu uma grande falha, quando disse: “que me perdoem as feias, mas beleza é fundamental”.

Beleza não é apenas fundamental, mas imprescindível. Porém, enganou-se Vinicius, pois não existem mulheres feias. Existem mulheres tristes, mulheres sem autoestima, mulheres que ainda não descobriram o quanto são belas.

Há algo mais sublime do que a nossa existência? E quem guarda a mágica que os cientistas tanto buscam reproduzir? A MULHER!

Toda mulher possui dentro de si o cálice da vida e, mesmo que nunca reproduza, na genética da biologia humana, vive a criar ao longo de sua existência. Mulheres criam filhos – seus e dos outros, criam projetos, criam animaizinhos, criam destinos, criam sonhos…

Desde muito pequenina, pode-se distinguir a força e a beleza que a mulher carrega e que não se extingue com o passar dos anos. Quando a força física começa a declinar é justamente quando brota a força de sua sabedoria. Hoje, com o aumento da longevidade e com todos os recursos que dispomos, encontramos mulheres que passaram dos sessenta anos e são mais interessantes atualmente do que quando tinham vinte.

Essa beleza, que irradia e contagia, não depende de grifes, de luxo, de plásticas, de peso, de tratamentos, de malhação e de todos os apelos a que estamos sujeitas a cada instante. Depende apenas do brilho no olhar, do agradecimento pela vida e do amor que podemos irradiar.

Portanto, vamos lá, lindas mulheres experientes, sábias e conhecedoras de seus poderes: assumam a beleza como um tesouro pessoal e a espalhem por todos os lugares onde passarem, espalhando alegria, carinho, emoções e, por que não, arrebatando corações!

Leitura Harmonizada: Estórias da Casa Velha da Ponte

cora-coralina

Por Iara Bichara

É com toda a reverência e respeito que passo para vocês a sugestão de hoje.

Certamente, se perguntarem a qualquer um de nós quem foi Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, pouquissímas pessoas se atreverão a responder. Mas quando se fala em Cora Coralina, mesmo aqueles que nunca leram uma de suas histórias, ou um de seus belos poemas, lembrar-se-ão, imediatamente, daquela mulher miúda, de olhos vivos e espertos, de rostinho marcado pelo tempo vivido e emoldurado pelos brancos cabelos.

Cora Coralina, pseudônimo escolhido pela autora quando jovem, mas com o qual passou a ser chamada depois dos 50 anos de idade, era filha de um desembargador nomeado por D. Pedro II. Nasceu em 20/08/1889 e foi criada na antiga Vila Boa de Goiás, em um casarão comprado por seu bisavô, às margens do rio Vermelho.

Cursou apenas as quatro séries do curso primário, coisa que na época era um grande feito para as mulheres, e com 14 anos de idade, tinha seus textos publicados nos jornais de Goiás. Porém, seu primeiro livro foi publicado somente em 1965, quando Cora Coralina estava com quase 76 anos de idade.

Pois bem, a sugestão de leitura harmonizada de hoje, entre tantos belos escritos da autora, é:

Livro: Estórias da Casa Velha da Ponte

Autora: Cora Coralina

Editora: Global Editora

Assunto:

Coletânea de 17 contos onde a autora, grande contadora de histórias, nos brinda com as memórias de seu passado, vivido na casa onde nascera.

Sua fragilidade física nada tem a ver com a firmeza e o vigôr de seus textos, nem com suas reflexões maduras e firmes.

Os relatos sobre o cotidiano e a cultura da época nos emocionam e nos remetem a um tempo de valores rígidos, de pouca utilização de regras gramaticais, mas de muita profundidade e simplicidade no trato de questões que ainda hoje nos afligem.

Como a autora foi excelente quituteira e passou grande parte de sua vida produzindo e vendendo linguiças e doces, iremos aguçar seu paladar, sugerindo um cardápio com comidas típicas da região. Prepare-se!

 

Casarão à beira do rio

  1. 1.     Acepipes

 

a)     Linguiça de lombo assada e cortada em fatias finas, acompanhada por tiras de broa de fubá.

 

b)    Arroz com Pequi

Ingredientes:

½ quilo de pequi limpo e cortado em pedaços

2 dentes de alho picados

3 colheres de sopa de óleo de milho

1 xícaras de arroz

1 xícara de água fria

3 xícaras de água fervendo

Sal à gosto

Modo de preparo:

Aquecer o óleo em panela grossa de alumínio ou ferro

Fritar o alho e acrescentar o pequí.

Colocar aos poucos a água fria, para cozinhar o pequi.

Acrescentar o arroz, a água fervendo e acertar o sal.

 

  1. 2.     Bebidas
  • Suco de Abacaxi ou
  • Suco de Jaboticaba
  1. Doçuras

Pastelinho de doce de leite

Ingredientes da massa:

½ quilo de farinha de trigo

250 g de gordura hidrogenada

1 colher de leite gelado

1 pitada de sal

1 colher de fermento em pó

Recheio:

Doce de leite

Canela em pó

Modo de Preparo

Junte em uma tigela todos os ingredientes da massa e misture com as pontas dos dedos até obter uma massa lisa e homogênea. Deixe descansar por 20 minutos. Abra a massa em formas de empadinhas e leve ao forno até a massa assar e começar a dourar. Retire do forno, recheie com o doce de leite e leve novamente ao forno,  até derreter o doce de leite. Na hora de servir, polvilhe a canela em pó.

 

  1. 3.     Dicas

a)     Você pode servir-se apenas do petisco de linguiça fatiada, acompanhado da broa de milho ou reparar o arroz e acompanhá-lo com a linguiça assada.

b)    Se achar que vai ter muito trabalho para fazer os pasteizinhos, utilize como doçuras sequilhos grudados (de dois em dois) com doce de leite.

c)     Para os sucos, você poderá utilizar a fruta natural, ou a polpa congelada.

 

E não se esqueça de, a cada mordida, dizer HUM…

Estou certa de que você irá se deliciar com a leitura e com os quitutes. Até a próxima semana e FIQUE BEM!