Parecer judicial em versos

Espalhe essa Ideia!

Selo Comemorativo STFAchei essa verdadeira pérola na internet, num blog que se chama Página Legal e que, infelizmente, parece desatualizado.

Trata-se de uma ação de separação judicial numa Vara de Família de Brasília (DF), mas o espirituoso Promotor de Justiça Irênio da Silva Moreira Filho, resolveu elaborar um parecer em versos, defendendo a solução imediata do problema.

Veja se não é genial, apesar de muitas “rimas tortas”! 😀

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EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA 2ª VARA DE FAMÍLIA, ÓRFÃOS E SUCESSÕES DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE CEILÂNDIA-DF

Autos n.º 9892-8/07

Ref.: AÇÃO DE SEPARAÇÃO JUDICIAL

Senhor Juiz, vem este Órgão Ministerial,
com ponderação e consciência,
apresentar sua manifestação final,
trazendo seus argumentos à Vossa Excelência.

Trata-se de ação de separação judicial,
movida pelo marido, ora requerente,
em face de sua esposa, com a qual
há tempos está descontente.

Relata o varão que o casal
há mais de três anos se uniu.
Não há filhos nem bens, segundo a inicial.
Apenas, um casamento que faliu.

A ré, mais elegante dizer requerida,
regularmente citada ofertou contestação,
na qual, de alma sentida,
demonstrou contra o pedido sua indignação.

Deixou claro a mulher
que não deseja a separação,
mas se acolhido o que o marido quer,
pretende dele receber pensão.

Antes de seguir adiante,
para não ficar incompleto o relatório,
atesto que na audiência de conciliação,
os cônjuges não reataram o casório.

Designada audiência de instrução e julgamento,
as partes prestaram declarações,
tendo a requerida, sem ressentimento,
desistido das mensais pensões.

Em suas considerações finais,
a ré alega que só há dez meses de fato da separação,
querendo assim, com assertivas tais,
a improcedência do pedido, para lutar pela reconciliação.

Pois bem. Agora este Promotor,
no seu mister de respeito,
passa a oficiar no seu labor,
discorrendo sobre o fato e o direito.

O magoado marido, em seu depoimento
contou que a esposa não lhe dava atenção,
não cuidava da casa e, para seu tormento,
só pensava no trabalho e na religião.

Disse também que, depois da primeira audiência,
voltou para casa uns dias e tentou a reconciliação,
mas a esposa lhe retirou a paciência,
porque só revivia os motivos da separação.

Ao final, relatou que tem nova companheira
e que agora, sem titubeação,
não mais enxerga qualquer maneira
ou possibilidade de reconciliação.

A esposa demandada, em depoimento pertinaz,
disse que o casal se desentendia
porque o varão a acusava de trabalhar demais,
e por isso com ela discutia.

Foi categórica em afirmar
que o esposo não está bem espiritualmente
e que para a ele perdoar,
deve ele pedir perdão a Deus e à depoente.

Peço vênias aos que pensam diferente,
seja por religião ou outro motivo qualquer,
mas se a falência de um casamento é patente,
como manter unidos o homem e a mulher?

Nada importa que, para a separação judicial, somente
haja, agora, onze meses de separação de fato,
embora seja certo que, comumente,
a lei exija mais de um ano para o juiz conceder o ato.

É que o art. 1.573, parágrafo único, do Código Civil,
permite que a separação judicial seja decretada
também quando for inútil
a preservação da união já acabada.

Com efeito, o Juiz pode, segundo esta disposição legal,
considerar outros fatos que tornem evidente
a impossibilidade da vida conjugal,
como é o caso presente.

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Segundo a atual doutrina e jurisprudência, é de todo irrelevante,
na separação, falar em culpa de quem quer que seja.
O essencial, o importante,
é solucionar a peleja.

Não há culpado pelo fim do amor,
ou da comunhão de ideais e de vida.
Se o casal já convive com o rancor,
a estrada da separação já foi percorrida.

O autor deixou evidenciado
que a vida em comum se tornou insuportável.
Inclusive já tem nova companheira,
com a qual quer uma união estável.

Por todo o exposto e com serena consciência,
o Ministério Público requer ao nobre Juiz
que, ao pedido de separação judicial, dê procedência.
E recomenda que cada qual das partes procure ser feliz.

CEILÂNDIA-DF, 03 de setembro de 2007.

IRÊNIO DA SILVA MOREIRA FILHO
Promotor de Justiça

 

Um comentário em “Parecer judicial em versos”

  1. Minha vida virtual
    Carlos Silva.

    Na base do “Control C”
    Eu vivo a copiar
    Já não sei me expressar
    Vou colar no “Control V”
    Eu sou franco a você
    Que isso me compromete
    Mas aos outros não compete
    Se estou certo ou errado
    Voltei a ser um desletrado
    Por conta da Internet

    São dois esses ou é C cedilha?
    Eu não sei mais escrever
    Vou ter que reaprender
    Reestudar a cartilha
    No Excel minha planilha
    A soma me compromete
    Meu PC deu um Reset
    Deu erro no resultado
    Voltei a ser um desletrado
    Por conta da internet

    Cebola salsa seringa
    Passeio passo passado
    Maço macio amassado
    Marrenta marreta moringa
    Resto restinho e restinga
    Tesouro testa tiete
    Caniço coçar canivete
    Pra escrever tenha cuidado
    Voltei a ser um desletrado
    Por conta da internet

    Açougue açude aguada
    Peço no preço desconto
    Tontice é coisa de tonto
    Um torto torando a tourada
    Apressa passando a passada
    O teclado tecendo compete
    O dedo passeia e remete
    Tentando novo aprendizado
    Voltei a ser um desletrado
    Por conta da internet

    Com X ou com CH
    Enxoval encher enxada
    Desfechar porta fechada
    Sendo aqui ou acolá
    Pra li pra lá ou pra cá
    Verbo averbado ou verbete
    Paz faisão ou toilete
    O tema é complicado
    Voltei a ser um desletrado
    Por conta da internet

    Exceto ou exceção
    Espoleta e excremento
    Esmeralda experimento
    Espaço estrondo explosão
    Enxada enxofre expropriação
    Entorse entorta intromete
    Exploração ou omelete
    Cada palavra um dobrado
    Voltei a ser um desletrado
    Por conta da internet

    Eu uso abreviaturas
    Para me comunicar
    BLZ pra confirmar
    Mudo as nomenclaturas
    Desrespeito estruturas
    Onde a leitura compromete
    Pois a mim já não compete
    Viver desinformatizado
    Voltei a ser um desletrado
    Por conta da internet

    O linguajar atual
    Perdeu de vez o sentido
    Eu deixei de ser sabido
    Por tanto erro virtual
    Mouse e teclado são um mal
    Que o nosso viver acomete
    Quem não souber não compete
    Fica fora do mercado
    Voltei a ser um desletrado
    Por conta da internet

    Já escrevem sem acento
    Não fazem pontuação
    A gramaticalização
    Não ensina a contento
    O pobre do elemento
    Tanto erro já comete
    Na vida leva bufete
    Torna-se ignorado
    Voltei a ser um desletrado
    Por conta da internet

    A minha memoria RAM
    Virou sapo de lagoa
    Pronuncia ficou atoa
    Acordo pela manhã
    Juízo meio tantan
    Já gritei pra Risonete
    Quer me deletar delete
    Mas não vou ficar calado
    Voltei a ser um desletrado
    Por conta da internet

    Shift Wake Power Sleep
    Page up Page down
    No teclado é normal
    Parece língua de hippie
    Ou cabra que pega gripe
    Quando a friagem acomete
    E a palavra se repete
    Torto e desaprumado
    Voltei a ser um desletrado
    Por conta da internet

    Vou encerrar o meu texto
    Sem muita abreviação
    Isso já nem cabe não
    Fica fora do contexto
    Eu invento um pretexto
    Chega o juízo derrete
    Invento um novo verbete
    Pra não ficar isolado
    Voltei a ser um desletrado
    Por conta da internet.

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